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segunda-feira, 28 de março de 2016

Os Melhores Poemas e Trechos de Fernando Pessoa, poeta português



Eu já havia lido tantos poemas de Fernando Pessoa, e foi só quando viajei para Portugal que descobri que ele era português. Acho que ignorei todas as vezes que li algo sobre sua nacionalidade. Para mim ele era muito brasileiro.

Minha alegria foi ver que eu não estava sozinha nessa. Quando comentei com uma amiga que não consegui ir ao museu que é dedicado à Pessoa em Lisboa, ela me respondeu: 'Em Lisboa? Poesia brasileira faz tanto sucesso assim em Portugal?'.

Fernando Pessoa é tão lido no Brasil, tão familiar para nós e nos identificamos tanto com seus poemas que acabamos nos confundindo e achando que ele é brasileiro.

A cultura entre Brasil e Portugal acabou, claro, se misturando muito ao longo dos anos. Nas minhas viagens a Portugal, vejo o quanto o Brasil tem de lá e o quanto Portugal importou um pouquinho do Brasil também.

Mas nada disso de brasileiro, Fernando Pessoa é lisboeta. Nasceu em junho de 1888 e morreu em novembro de 1935. Viveu 47 anos, vindo a falecer de cirrose hepática (durante sua vida cometeu os abusos do álcool, assim como a grande maioria dos artistas antigos).

Aliás, os portugueses, assim como nós brasileiros, também amam Fernando Pessoa. Há referências das frases e poemas de Fernando Pessoa em tudo que é canto. Em cafeterias, restaurantes, lugares públicos.

Certa vez, quando fui pegar meu voo de para Londres no aeroporto de Lisboa, havia uma intervenção sobre Fernando Pessoa dentro do aeroporto. Achei tão lindo. O nome do projeto era 'Lisboa em Pessoa', e o aeroporto estava todo enfeitado de Fernando Pessoa. Esse tipo de coisa boa poderíamos importar e praticar aqui no Brasil. Dedicar uma parte do aeroporto a um poeta, à obra dele, disseminando cultura. Que delícia seria!

Aeroporto de Lisboa e o projeto 'Lisboa em Pessoa'

Aeroporto de Lisboa e o projeto 'Lisboa em Pessoa'

Mas vamos à lista com os 10 melhores poemas do meu amado Fernando Pessoa:

1) Trecho do poema "Tabacaria"

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

2) Trecho do poema "Autopsicografia"

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente."

3) Poema "Todas as Cartas de Amor..."

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

4) Poema "Poema em linha reta"

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado
[sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

5) Poema "Para ser grande, sê inteiro"

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

6) Trecho do poema "Segue o teu destino"

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

7) Poema "Mar Português"

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

E aí, gostaram? Qual poeta vocês mais gostam? Vale ser de qualquer lugar do mundo! Quero conhecer novos poetas!!!

Clique aqui e leia mais curiosidades de Portugal!

Beijo, beijo,

Nicole Werneck.

Fanpage: Nicole Werneck 
Instagram: @nicolewerneckf
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