Páginas

sábado, 21 de novembro de 2015

Minha experiência em Molenbeek, bairro de Bruxelas vivem alguns terroristas do Estado Islâmico



Digamos que Bruxelas, capital da Bélgica, não é um dos meus lugares favoritos. Eu estive duas vezes na cidade, e na segunda vez que fui pensei que fosse tirar uma certa má impressão que ficou da primeira. Talvez os belgas sejam o que a gente pensa um pouco erroneamente de toda a Europa, que as pessoas são frias e distantes. Não tive esse sentimento em muitos lugares da Europa para falar a verdade, mas na Bélgica sim, mais especificamente em Bruxelas, eu tive.

Andando pelas ruas de Bruxelas você vai perceber que a quantidade de árabes que habitam a cidade é imensa. Uma das línguas oficiais do país é o francês, e como sabemos alguns países muçulmanos foram colonizados pela França no passado, o que faz com que a língua francesa seja um agente facilitador na hora de escolher esse país para viver, já que a Bélgica é cheia de oportunidades de trabalho e oferece boa qualidade de vida. 

Acredito que alguns fatores tenham contribuído para que Bruxelas não entre na minha lista de lugares favoritos. Conheço pessoas que simplesmente amam Bruxelas e querem viver lá. Veja bem, não estou dizendo 'Não vá em Bruxelas', apenas cito que não é aquele lugar que tenho enorme vontade de voltar. 

Primeira manhã da primeira vez que estive em Bruxelas: andava pela rua rindo com meus amigos e à nossa frente cada vez mais se aproximava um jovem casal que discutia. O rapaz elevava seu tom de voz às alturas, enquanto a moça chorava. De repente ele começou a dar uns tapas nela e depois a bater. Ficamos estáticos olhando a cena. Ele se virou pra nós e disse: 'Estão olhando o que? Vão embora daqui'. No primeiro momento continuamos parados sem saber o que fazer, depois começamos a dar passos vagarosos, incrédulos de como as pessoas ao redor caminhavam como se nenhuma mulher estivesse sendo agredida na frente delas. Se meter nessas situações pode ser até perigoso, mas nem ao menos se solidariezar enquanto um outro ser está sofrendo maus tratos na sua frente é demais. As pessoas continuavam andando sem nem olhar para o lado, falando nos seus celulares, lendo jornal, conversando com alguém pelo whatsapp, ou correndo para não perder o metrô. A impressão que deu era de aquilo era uma cena corriqueira na cidade, algo que já nem merecia surpresa dos transeuntes.

Existem fatos que determinam a imagem que você vai ter do lugar, e certamente esse foi altamente relevante para a minha opinião sobre Bruxelas.

Nessa primeira vez em que estive na cidade, além de ter encontrado pessoas totalmente fechadas e nada simpáticas pelo caminho, não houve outra coisa que tenha me chamado assim tanta atenção.

Na segunda vez em que estive na cidade, fiquei hospedada no bairro de Molenbeek, hoje conhecido como bairro de maioria, posso dizer, grande maioria islâmica e alvo de especulações sempre que há um caso de ataque terrorista na Europa. Assim que se chega no bairro é fácil perceber, mulheres de burca, homens com aspecto físico conhecido como do Oriente Médio. Quase todos os estabelecimentos do bairro são de árabes. Desde o mercadinho até a loja de casacos. Andando por esse bairro uma vez vi uma mulher com aquele burca preto, o que mais instigou e me deixou paralisada, é que eu apesar de já ter até vivido com uma família de muçulmanos como minha host family em seu país, nunca tinha visto uma burca que aparentemente não tinha nem tela para a mulher enxergar. Embaixo coloco uma foto para que visualizem melhor a que eu me refiro. Na hora que vi fiquei estagnada, me senti estranha, porque a impressão era de que a pessoa estava sufocada e o homem que estava ao seu lado a obrigava a fazer isso. A gente sabe que as pessoas que cada um tem sua religião e que talvez ela mesmo queira usar aquela veste, mas é muito difícil não associar com machismo isso.

Fonte imagem: Radio Santiago

A foto acima mostra a veste que a mulher usava, eu fiquei estagnada na hora em que vi porque já tinha visto várias burcas desse tipo, mas com abertura ou uma tela aparente na região dos olhos, desse tipo não.

O bairro se localiza próximo à região turística da cidade, e o hotel em que ficamos era muito bom. Porém ao sair à noite por lá, eu não me sentia tão segura, nada aconteceu, mas não sei precisar o porquê do sentimento de insegurança. Talvez porque ao anoitecer as ruas do bairro não estejam tão movimentadas, talvez porque era inverno e chovia e tudo fica com um clima mais estranho.

Eu acho que algumas pessoas realmente não definam a população do bairro. Acredito que a esmagadora maioria da população de lá esteja ali porque foram buscar condições melhores de vida e se sentem em um ambiente mais próximo de "casa" quando estão juntos. Bruxelas em si não me fazia sentir segura, por isso não posso dizer que foi só o bairro.  

Algumas fotos do bairro:




O que acharam do bairro? Conhecem? Me contem!!

Nicole Werneck

←  Anterior Proxima  → Página inicial

0 comentários:

Postar um comentário