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sábado, 27 de junho de 2015

O gene Wanderlust: por que algumas pessoas nasceram para viajar



Algumas pessoas nunca sentiram necessidade de deixar suas casas e se aventurarem pelo mundo. Elas estão satisfeitas em ficarem em sua cidade natal, em encontrarem sempre as mesmas pessoas e irem sempre aos mesmos lugares.

E existe o resto de nós: aqueles que ainda sentem que não podem se acomodar, afinal tem muito ainda que conhecer. Aqueles que vivem se assegurando de manter o passaporte por perto, apenas no caso de surgir uma incrível promoção nas passagens aéreas e isso é uma coisa que não se pode perder.


Fonte: https://instagram.com/mrtin_/

Qualquer que seja o nome disso: wanderlust, necessidade de viajar, ou apenas uma grande curiosidade de descobrir o que existe na próxima esquina. O fato continua sendo o mesmo: sua fome de explorar o mundo simplesmente não é saciada, não importa quantas férias ou viagens você faça. Você sempre quer mais, afinal o mundo é tão grande...

Para você, sempre existe algo novo que deve ser visto, alguma coisa nova a ser feita, alguma coisa que vai te tirar da rotina e mostrar que é de experiências que são feitas a vida. Você topa qualquer tipo (ou quase qualquer tipo) de viagem: bate-volta, acampar, um final de semana em um lugar totalmente diferente, tudo é válido. Mas você adora também aquelas viagens loucas sem destino, só com o bilhete de ida, a volta é papo para se pensar depois.

Fazer muitos planos indica que você deve cumprir horários e datas determinadas, e às vezes a gente não está muito na vibe de planejar cada passo da viagem. Deixe as coisas irem acontecendo! Viagens sem planos sempre são as que você volta com mais histórias pra contar. Você viaja para conhecer gente, para escutar histórias de povos que você só sabia que existiam porque um dia estudou sobre eles na escola, para experimentar a culinária local e para descobrir como as pessoas em cada canto do mundo vivem.

Essa vontade já era levemente (ou não tão levemente) despertada desde que você era criança, desde que você escutava falar sobre lugares legais e dava vontade de visitar. Desde que você tinha uma vontade louca de ir para a Disney. Desde que você ia viajar com seus pais e queria ficar mais tempo no lugar que seus irmãos.

De acordo com recentes estudos, isso pode mesmo ter sido incorporado ao seu DNA.

Como foi falado nessa matéria, aquela inerente necessidade de viajar que você sente pode ser relacionada a um gene, que é uma derivação genética do gene DRD4, que é associado aos níveis de dopamina no cérebro.

O próprio gene, que é identificado como DRD4-7r, foi apelidado de 'gene wanderlust', devido a sua correlação com um elevado nível de curiosidade e inquietação.

Mas, na realidade, aqueles que carregam essa informação genética consigo normalmente tem uma coisa em comum: o desejo de viajar.

Esse gene não é tão comum assim; na verdade é possuído por cerca de 20% da população. E há uma prevalência de pessoas que possuem esse gene em regiões do globo em que viajar era uma atividade encorajada no passado.

Assumindo que todas as formas de vida humana foram originadas na África, Chaunsheng Chen, que conduziu um estudo em 1999, assumiu o pressuposto de que "a forma do gene DRD4-7R é mais frequente de ser encontrada nos dias atuais em que se locomover por longas distâncias é mais fácil do que nos primórdios dos tempos".

Em resumo, aqui, Chen sugere que civilizações que são mais afastadas da África, local onde a teoria explica que surgiu a forma humana, são supostamente mais suscetíveis a carregar o gene DRDR-7r.

Um outro estudo realizado por David Dobbs da National Geographic apoia essas descobertas - e propõe razões para esse gene não estar apenas associado à curiosidade e inquietação, mas especialmente a uma paixão por viajar.

De acordo com Dobbs, a forma mutante do gene DRD4, 7r, resulta em pessoas que estão mais dispostas a correr riscos, conhecer novos lugares, ideias, comidas ou terem relacionamentos diferentes. São as pessoas que normalmente se envolvem em movimentos, querem promover a mudança, e estão atrás de aventuras.

Seguindo a mesma linha de Chan, Dobbs também associou o 7r, mutação do gene DRD4, à migração humana.

Quando compara-se a populações sedentárias, ou aquelas que ficaram sempre na mesma região na maior parte do tempo de sua existência, membros de uma população que migrou de um lugar para outro - aqueles que tem uma história de migrações ao longo do tempo - possuem uma maior tendência a carregar o gene 7r.

Dobbs continua destacando um outro estudo estatístico, conduzido há um pouco mais de uma década, que apoia a ideia de que o 7r, em conjunto com uma segunda variação genética (2r), tende a ser encontrado mais frequentemente em populações cujos ancestrais migraram por longas distâncias após terem já terem migrado da África.

Mesmo com todos esses estudos, ainda havia alguma razão para Kenneth Kidd da Yale University duvidar desse gene.

De acordo com Kidd, é um pouco mais complexo do que algumas pessoas podem imaginar. "A genética não funciona dessa maneira", Kidd sugere, "Você não pode reduzir alguma coisa tão complexa como a história da exploração humana a um simples e único gene."

Em resposta, Dobbs recorreu a Jim Noonan, geneticista de evolução, para ganhar um melhor entendimento sobre esse assunto.

Na forma mais simplificada, Dobbs citou a afirmação de Noonan como a habilidade humana de explorar, dentro de dois sistemas: membros e cérebro.

Noonan explica como cada espécie tem um diferente e único conjunto de variações dentro desses dois sistemas, que lhes dão uma predisposição de diferentes comportamentos.

Em relação aos humanos, existem algumas diferenças relacionadas aos membros e cérebros, que podem ser distinguidas de nossos ancestrais mais comuns, os macacos - tais como pernas e quadris que nos permitem andar por longas distâncias, habilidade nas mãos, e até mesmo um cérebro "mais inteligente", explica Dobbs.

Enquanto essas diferenças nos permitem, enquanto espécie, sermos mais adequados a viajar por longas distâncias e explorar o mundo de uma maneira criativa - nossas características genéticas são ainda parecidas às dos macacos, apesar das diferenças na nossa anatomia.

Ao mesmo tempo, é também importante considerar o estudo feito por Garret LoPorto de Huffington Post.

Enquanto esse gene mutante DRD4-7r pode carregar essa característica que leva as pessoas a explorarem o mundo - isso também pode ser associado a comportamentos que remetem ao homem de Neanderthal.

De acordo com LoPorto, enquanto as pessoas que carregam essa variante genética podem ser incrivelmente criativas, pioneiras, empreendedoras e mais dispostas a terem desejo de viajar, elas também podem ser "totalmente fora de controle".

Então, se você tem essa vontade incontrolável de viajar, pode ser que você tenha o "gene wanderlust". E já que você tem grandes probabilidades de ter esse gene, porque não aproveitar logo e se jogar no mundo?

Esse texto é uma adaptação de "The Wanderlust Gene: Why some people are born to travel"

Nicole Werneck

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