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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Experiência 01 de CouchSurfing em Istambul - Parte 1



Esse texto é mais um para a série sobre experiências de CouchSurfing (se você não conhece o CouchSurfing, clica aqui que eu exlpliquei como funciona).
Em Istambul, eu tive duas experiências "surfando" em casas alheias. Nesse post, vou falar sobre a primeira, que já até contei um pouco aqui.
Antes de ir para a Turquia, eu estava na casa de uma amiga grega, na Grécia, na cidade de Thessaloniki. Quando estávamos planejando nossa viagem, discutimos um pouco sobre ficar de CouchSurfing ou não na Turquia. A cultura turca é bem machista, e como minha amiga já tinha tido um  problema com um rapaz que ela havia conhecido pelo site, ficamos mesmo um pouco receosas.
Mas por outro lado, sabíamos que viveríamos mesmo a cultura turca se ficássemos hospedadas na casa de alguém que morasse ali e que pudesse nos mostrar como é a rotina de um morador local. CouchSurfer feelings.
 Procuramos no site alguém do sexo feminino que morasse em Istambul. Não encontramos muitas, e as que mandamos couchrequest não nos responderam. Decidimos deixar a vida se encarregar de decidir o nosso rumo. Enviamos então, requests para os perfis que tinham a ver conosco, independente do sexo. Analisamos também (como sempre) as referências. Se não conseguíssemos, ficaríamos em um hostel mesmo.
Bom, realmente tomamos mais cuidado na Turquia, porque é um país totalmente diferente dos nossos (eu - Brasil, Vik - Grécia). A cultura é muito diferente, mais de 90% das pessoas são muçulmanas e depois de ter tido uma grande experiência na Turquia, posso falar com propriedade que a cultura deles é MUITO machista, conto mais sobre algumas experiências que tivemos em relação a isso em outro post. Importante frisar que quando estamos no país do outro, temos que respeitar as regras de lá, não tentar impor as regras que são válidas nos nossos países. 
Depois de alguns requests respondidos, conhecemos um rapaz da Síria, que morava em Istambul. Ele era muito gente boa, couch fechado! Seu perfil tinha muitas referências positivas, ele parecia ser animado e hospedar muita gente. Conversamos com ele e gostamos do seu astral. Um pouco antes de entrarmos no ônibus para ir para Istambul, ele nos enviou seu endereço e marcamos de encontrá-lo em um shopping que ficava perto de sua casa. 
Chegamos na cidade, o encontramos e conversamos um pouco. Ele era tudo o que as referências positivas diziam. Gente fina, pelo menos em um primeiro momento. Ele perguntou se estávamos com fome, dissemos que não, mas que poderíamos comer alguma coisa juntos. Fomos ao mini mercado que ficava próximo e compramos algumas coisas, ele disse que iria fazer um café-da-manhã típico da Síria para nós! Adoramos! Falou a palavra típico, falou conosco.
Quando chegamos na casa dele, nos foram apresentados uma alemã e o namorado dela, eles também eram do CouchSurfing e estavam hospedados na casa.
Ah...antes de entrar em qualquer casa na Turquia, deve-se tirar os sapatos, para que não se leve poeira para dentro da casa. Normalmente, o anfitrião entrega uma espécie de pantufa para os convidados. Ou se usa a pantufa, ou se anda descalço mesmo. Reparei também que na porta da casa tinha um olho grego (que na Turquia eles chamam de olho turco) bem grande. Não sei se vocês sabem, mas houve uma guerra entre a Turquia e a Grécia que durou séculos. Eu nem sabia disso, aprendi em um curso que fiz na Grécia. Devido a isso, a cultura da Turquia e da Grécia é muito misturada. Por exemplo, quando eu estava na Grécia me apresentaram várias coisas gregas(lógico...rs), e depois que cheguei na Turquia me apresentaram algumas dessas coisas, dizendo que eram turcas. Aí fica nessa guerrinha até hoje. Enfim, na Turquia é muito comum ter um olho turco (ou grego #nemseimais) na porta da casa, eles dizem que afasta o mau-olhado (comprei vários para mim e para dar de presente no Grand Bazaar e quando estive em Atenas também. Post sobre Grand Bazaar aqui).
Voltando ao Couch...depois de conhecermos o casal alemão, nosso host nos mostrou a casa. Ela era bem grande. A parede da sala era toda coberta de fotos e bilhetes de pessoas do CouchSurfing, dizendo coisas do tipo: "Foi um prazer enorme ser hospedado por você. Obrigado por tudo.Estou te esperando em...". Cara, ele já tinha hospedado mais de 150 pessoas.
Com ele, moravam mais três sírios. Todos eles, inclusive o nosso host, fugindo da guerra na Síria. Todos deixaram suas famílias, amigos, etc. para tentar uma vida longe da guerra. Mais tarde chegou mais um rapaz, também vindo da Síria, mas esse tinha planos diferentes. Ele não queria ficar em Istambul, como os outros. Istambul foi só uma parada para ele, na verdade ele queria ir para a Argélia. Disse que tinha família no país africano.
Fomos para a cozinha ajudá-lo a preparar o café-da-manhã. Eu achava que ele até já tinha comido, porque tinha um pedaço de tomate grudado na camisa dele desde quando o encontramos. Estávamos cozinhando, conversando, ele nos contando da necessidade dele de continuar na Turquia, porque ele era um dos convocados para servir ao exército em plena guerra, e ele não queria de jeito nenhum. Ele fugiu e não queria que o encontrassem de jeito nenhum. Nas palavras dele:"Eu não quero guerra. Não sou a favor da guerra. O Estado nos impõe várias coisas e não se importa de acabar com os planos de vida das pessoas, das famílias. O ódio acaba com tudo, e eu tenho muito amor para o ódio acabar comigo."
Loucura né. Na minha frente, estava um cara que eu tinha acabado de conhecer, eu estava na casa dele, ele estava cozinhando pra mim, além de mim e da Vik, ele estava hospedando também um casal de alemães. Ele dividia um pouco da história e da cultura dele e estava interessado na nossa história e na nossa cultura. Poxa, o país dele estava em guerra, a família e os amigos dele estavam lá, ele precisava de um emprego fixo na Turquia, ele corria o risco de ter que servir ao exército nesse momento tão caótico. Uma pessoa assim, teria todos os motivos para se revoltar contra tudo e não se importar com ninguém, mas ele era tão gente boa, e como ele disse, tinha tanto amor para distribuir, que estava ali hospedando várias pessoas desconhecidas que tinham a vida muito boa em relação a dele, elas estavam viajando! E ele estava cozinhando para as pessoas que já tinham a vida muito boa.
A Vik quis tomar frente das coisas e ajudá-lo no fogão. Eu fiquei pra lavar a louça depois.
Ela estava lavando alguma coisa e passou uma barata no pé dela, ela gritou e todos vimos a barata. Ele perguntou o que era e ela disse: "Alguma coisa passou no meu pé", ele respondeu dizendo que deveria ter caído um pingo de água no pé dela. Mas ele sabia que não era isso, deve ter ficado com vergonha né.
 Ele pediu para ela pegar o açúcar que estava dentro do armário que ficava na frente dela. Na hora que a Vik abriu o armário onde ficavam as comidas, várias baratas saíram dali. Não eram baratas grandes, eram baratas pequenas...Esperei alguma reação dele, tipo: "Oh shit, what the fuck is this?" Mas nada, tudo tranquilo.
Nada que acontecesse iria tirar o fato dos caras da casa serem muito gente boa! Mas eu não queria comer alimentos que eu vi infestados por baratas. Desculpa, não é frescura, mas eu realmente tenho nojo de barata.
Antes de sair da Grécia, eu falei com a Vik que eu ia levar um pouco de queijo feta e outras coisas da maravilhosa culinária grega. Depois de tanto tempo na Grécia, seria duro se despedir da melhor comida do mundo...haha. Ela disse para eu não fazer isso porque a comida da Turquia era MUITO boa. Isso foi uma decepção para mim, uma das coisas muito difíceis de me adaptar na Turquia, foi a comida. Minha mãe adoraria a comida de lá, mas para mim foi difícil. Eles usam muitos ingredientes que eu não gosto, tipo nozes, avelã, castanha, etc. Depois eu falo mais da culinária de lá. Eu já tinha uma certa tendência a não me adaptar a comida, e o primeiro contato que eu tive foi...um pouco nojento(tinha barata e depois eu vi outros bichos na casa, e na minha comida). Resultado: um mês comendo no McDonalds sempre que possível.
O nosso host terminou de preparar a comida e montou um pratão para cada uma de nós.



O que tinha? Iogurte(como sempre presente na Turquia), queijo, azeitona, pão e uma mistura que ele fez na frigideira (ovo, tomate, pimentão e outras coisas que não sei).
Como é costume na Turquia, comemos no chão, sentados em um dos muitos tapetes da casa. Eu não gostei de nada, também não comi muito, fiquei enrolando com a comida. Na primeira bobeira que a Vik deu, eu joguei metade do que estava no meu prato pro dela. Ela não se importou(eu sabia que ela não ia se importar, como ela diz, ela não pode recusar comida de graça). Ele viu meu prato e disse: "Nossa, você comeu rápido". Vik:"Ela quer mais, mas tem vergonha de dizer isso." Enquanto eu não acreditava que a Vik havia feito aquilo, ele foi lá na cozinha e pegou mais pra mim. Comi um pouco e depois disse a verdade para ele, que eu não queria mais, mas tinha vergonha de dizer. Ele não se importou, disse que não tinha problema eu não querer mais(esse texto todo aqui sobre a comida, é porque tem países que as pessoas realmente se importam que as outras não aceitem sua comida). Um ponto negativo de comer no tapete é que a comida sempre cai no ali, e é normal ele ficar bem sujo. Não tem condição de ficar trocando toda hora né.
Gente, tive que dividir essa história em duas partes, senão o post ficaria muito grande. Para conferir o resto da história, clica aqui. Decidi analisar e fazer um ranking de pontos negativos e positivos ao final das experiências do CouchSurfing, porque as histórias do CouchSurfing sempre são muito polêmicas por aqui.

Pontos positivos até aqui:
Nem preciso falar muito né. Tudo, exceto o fato da comida e dos bichos. Nosso host e os amigos eram muito gente boa, foi uma troca cultural muito bacana. E mais ainda o astral daquelas pessoas era magnífico.

Pontos negativos até aqui:
Ah gente, eu achei mesmo o lance dos bichos na casa e do armário da cozinha que tinha comida e que ele ofereceu para nós ter baratas (muitas, muitas, muitas) nojento. Fiquei com medo, porque já ouvi MUITAS histórias de gente que foi pros lados do Oriente (a Turquia ainda fica meio que na divisa) e passar mal por causa da comida ou da água. Imagina...acaba a viagem né. E ainda era nosso primeiro dia ali.

Prometo não demorar a contar o resto da história.

Conselho: Viagem de CouchSurfing. Porque não se conhee nenhum lugar só indo aos pontos turísticos e porque toda viagem tem que ter surpresa(e que ela seja boa!).

Experiência 01 de CouchSurfing em Istambul - parte 02 (aqui)
Experiência 02 de CouchSurfing em Istambul (aqui)
Experiência de CouchSurfing em Londres (aqui

Beijo, beijo,

Nicole Werneck.


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