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sábado, 16 de agosto de 2014

Presos a noite no zoológico



Depois do caso do menino do zoológico, resolvi escrever o que aconteceu comigo em um zoo.
Viena, capital da Áustria. Era dia de visitar o Palácio Schönbrunn. Chegando na bilheteria, vimos os preços dos pacotes de visitas e decidimos comprar a visita completa e guiada no palácio. Para quem comprasse esse tipo de visita, por algo como mais dois euros(não me lembro o valor exato, mas era um valor simbólico mesmo) teria direito também a visitar o Tiergarten Schönbrunn, que é o Zoológico Imperial de Viena e o mais antigo do mundo, está no mesmo lugar desde 1752. Eu não sou muito fã de zoológicos, e a minha intenção mesmo era visitar o palácio e os jardins, mas com todo aquele apelo de que o zoológico era o mais antigo do mundo, tinha não sei quantas espécies de animais vindas de todas as partes e teríamos só que pagar um pequeno valor para fechar a visita, decidimos visitá-lo também.
Como demoramos muito na visita do palácio e dos jardins, entramos no zoológico tarde. Eram 17 horas, e como era inverno, o horário para fechar estava marcado para 17:30. Entramos para dar uma olhada e sair, já que em 30 minutos não seria possível ver muita coisa. O zoológico realmente é bem cuidado e tem muitas espécies animais diferentes. Uma coisa que me chamou atenção foi a parte dos lobos, a gente passou por uma trilha e a grade que separava essa trilha da "floresta" que eles montaram é muito fina, quase imperceptível, e os lobos estão soltos ali do outro lado. Eu não sei ao certo a grossura dessa grade, porque estava escurecendo quando eu passei, e não dava pra ver legal.
Enfim depois dessa parte, chegamos em uma casinha que tinha uma exposição de espécies de formigas e alguns outros insetos. Quando estávamos dentro dessa casinha falaram alguma coisa nos alto-falantes do zoológico, mas dentro do lugar onde estávamos, o som estava sendo abafado e não deu pra entender direito. Olhei no relógio e eram 17:20, falei para o João (que era o amigo que estava comigo) para irmos andando em direção a saída. Quando entramos no zoológico, vimos pessoas saindo pela entrada dele, então concluímos que obviamente a saída seria por ali mesmo, ou outro lugar que seria avisado por uma placa. Não tinha placa e nem ninguém por perto pra perguntar. Fizemos o caminho de volta então, para sair do zoo. A essa hora o zoológico já estava ficando meio deserto e escuro. Finalmente chegamos nos portões... e eles estavam fechados. Ferrou. Ninguém, NINGUÉM, nenhum funcionário terminando de fechar, nenhum funcionário pra avisar se tinha outra saída, nenhuma placa. E eram exatamente 17:30. Pontualidade austríaca? Pontualidade alemã?
Gritamos por ajuda e ninguém apareceu. Aí a noite já tinha caído. Cogitamos em pular os portões, mas tinha um aparato elétrico logo em cima, seria impossível. Nesse momento, eu já estava chorando e estávamos desesperados. Decidimos voltar de onde a gente tinha vindo. Tivemos que passar pela jaula de todos os animais de novo, só que agora estava escuro e estávamos sozinhos. Não lembro de nenhum poste nesse caminho que tínhamos que fazer. Na verdade, meu amigo acendeu o celular e fomos seguindo. Fizemos o mesmo caminho de volta, procuramos gente e não tinha ninguém mais. Procuramos saída, alguma placa e não tinha. Tentamos outros caminhos e achamos uma porta giratória que para nós estava localizada meio no nada, mas dane-se, era uma porta e a gente ia conseguir sair. 
Saímos. O problema é que certamente essa não era a saída oficial, já que caímos em uma mini floresta. O que seria pior? Dentro ou fora? 
Tentando ficar calmos, procuramos uma saída para aquilo. Olhando para a direita, deu pra perceber que se andássemos naquela direção, cairíamos em uma estrada de terra.
Andamos, e esse caminho foi tranquilo. Fora da floresta, estávamos mais tranquilos, mas muito bravos(para não dizer p...). Nessa estrada de terra, vinha um cara correndo em nossa direção. Acenamos, ele parou. Perguntamos como chegaríamos de volta ao palácio. Ele nos apontou o caminho e seguimos. Saímos enfim nas costas do palácio. 
Chegamos lá e procuramos alguém com quem pudéssemos fazer uma reclamação. O palácio também fecharia às 17:30, mas tínhamos esperança de que tivesse alguém ali, algum segurança, alguém que nos indicaria uma saída. Com aquela rígida pontualidade, o palácio já tinha fechado e os funcionários ido embora. A única coisa que estava aberta era a lojinha(hehe...o povo é pontual, mas é capitalista) de souvenirs do palácio. Contei o que tinha acontecido para a vendedora e ela disse que infelizmente só ela que ainda estava trabalhando ali, e que ela não poderia ajudar e nem fazer oficializar o ocorrido, mas que ela entendia que tinha sido uma falha da administração do zoológico. Se eu quisesse fazer uma reclamação oficial eu teria que voltar no dia seguinte no horário de funcionamento.
Bom, nós não sabíamos que as coisas na Áustria eram tão rígidas, principalmente em relação a horário. Mas eu acho que se eles recebem muitos turistas estrangeiros, as coisas deveriam ser melhor sinalizadas. Tinha que ter alguém nas bifurcações do zoológico para avisar que a visita já tinha acabado e que eles estavam fechando o local, assim como acontece em todos os pontos turísticos do mundo. A Áustria é linda, mas depois disso que aconteceu, o encanto quebrou um pouco. Nós enquanto brasileiros, estávamos acostumados com seguranças em todos os lugares e funcionários sempre fechando o local de trabalho mais tarde. Queríamos fazer a reclamação porque poderia ter sido uma mãe com filho pequeno que tivesse ficado presa ali, poderia ser algum velhinho, poderia ser alguém que não iria conseguir encontrar uma saída como nós encontramos. Achei falha a administração do zoológico. 
Gente, não desencorajo ninguém de ir ao zoológico. É um local bacana de ser visitado. Só não dar bobeira em relação ao horário. ;)
Fonte: Tripadvisor









Já no escuro do zoológico

Nicole Werneck.
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3 comentários:

  1. Que sufoco, bom que acabou td bem!!!!

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    1. Verdade! Mas são essas coisas que fazem a gente ter história pra contar

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    2. Verdade! Mas são essas coisas que fazem a gente ter história pra contar

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