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sábado, 19 de abril de 2014

Ainda prefiro ser feliz a ser rei



Hoje, eu estava lembrando de um dia em que eu e um amigo estávamos em um café em Bragança, Portugal. Nosso café de todas as quintas-feiras, super culto em que discutíamos sobre vários assuntos interessantes. Em um desses cafés, nós totalmente discordávamos. O tema é o mais clichê de todos: o amor. 
Ele dizia que não acreditava que existia, que acreditava em casamento ou namoro por troca de interesses, como acontecia na época dos reinados. Por exemplo, uma pessoa tem alguma coisa que te interessa e que vai ser boa para o seu futuro, e em contrapartida, você tem alguma coisa que interessa a outra pessoa. Por que então não ficarem juntos? Talvez, o que tenha feito esse pensamento se consolidar ainda mais na cabeça dele, seja o fato de que voltávamos há pouco tempo de Paris, e ele havia visitado o Palácio de Versalhes e vivenciado o ambiente em que moravam Maria Antonieta e Luís XVI. O resumo do resumo da história deste nobre casal é que Luís XVI era o herdeiro do trono da França, e Maria Teresa(mãe de Maria Antonieta), era a titular do comando do Sacro Império Romano-Germânico, arquiduquesa da Áustria e rainha da Hungria e da Boêmia( que hoje é parte da Alemanha). Com a morte de seu marido, Maria Teresa buscou se aproximar das outras cortes europeias e usou uma estratégia bastante comum na época: ofereceu suas filhas em casamento. E foi assim que o destino de Maria Antonieta se cruzou com o de Luís XVI. Segundo relatos da época, as diferenças entre os noivos eram não poderiam ser maiores. O casamento na Áustria aconteceu por procuração, onde o irmão da noiva representava o noivo. Quando Maria Antonieta, que tinha apenas catorze anos, chegou na França, foi obrigada a abandonar tudo o que levava da Áustria consigo, inclusive suas roupas, conheceu a pessoa com quem havia se casado por procuração e teve uma outra cerimônia de casamento, em Versalhes (subúrbio de Paris). Sob olhos atentos da nobreza o casal se retirou para a cama, e ali em seu "ninho de amor" fizeram o que iriam fazer por muitos anos: NADA (segundo o próprio noivo escreveu em seu diário). O que aconteceu na sequência é que Maria Antonieta tinha muitas dificuldades em se adaptar aos costumes franceses, tinha que suportar muitas pressões e calúnias por parte da nobreza. E há poucas dúvidas de que amava outro homem e traía seu marido com ele. No fim ela morreu guilhotinada, sofrendo de uma grande onda de fúria e ódio popular.
É meio óbvio que uma pessoa que não está feliz, vai atrair ódio, porque é só isso que ela consegue transmitir. Ela odeia a vida dela. Como que ela, na situação de rainha, vai lutar por melhores condições de vida e satisfação da população, se ela mesma é uma pessoa infeliz?
Meu amigo disse que eu vivo uma utopia, que hoje em dia ninguém mais se relaciona por amor. Eu prefiro seguir não acreditando nisso. Eu prefiro acreditar que tem muitas pessoas que se relacionam porque gostam um do outro sim. Tenho uma amiga grega que veio fazer intercâmbio no Brasil, e me relatou que não gosta do jeito que grande parte das pessoas aqui é interesseira. Ela é amiga de algumas meninas, e diz que elas só falam de homem e que se ela diz que ficou com alguém, a primeira pergunta que elas fazem é sobre o carro do rapaz, qual é o carro do rapaz, ao invés de perguntar se o cara a faz feliz e se a trata bem.
Do meu ponto de vista, não tem como ficar com uma pessoa se você não gosta dela nem um pouco. Às vezes, uma pessoa tem o que você precisa, mas isso não significa que vocês vão ficar juntos e dar certo, e sua vida vai ser mil maravilhas. Gostando é difícil, imagina sem gostar. Lógico que ninguém vai viver só de amor, quem dera se fosse possível. Tudo tem que ser na medida certa, nada de obsessão com ninguém, eu estou falando de relacionamento saudável.
Nós havíamos também discutido sobre casos de namoro a distância, alguém do casal que foi fazer intercâmbio e ficaram separados por um longo tempo. Ou o parceiro que foi trabalhar em outro país. Ou por algum motivo, uma mudança repentina e grande na vida de alguém do casal, que acaba afetando a outra parte também. É difícil se relacionar  a distância, mas quem ama só se a pessoa está perto, então não ama de verdade. Como tudo na vida, tem-se que lutar por quem a gente gosta, suportar as distâncias e tentar fazer com que elas fiquem menores.
Conheço uma mulher que namora um rapaz e que por algum motivo tiveram que ficar longe um do outro. E eles, apesar de se falarem todos os dias no whatsapp e facebook, e frequentemente por skype, também se mandam cartas. Ela me disse que uma carta é sempre mais bonita, mesmo que eles se falem todos os dias pela internet, uma carta vai ser sempre mais bonita.
Conheço também outro casal, os dois estão juntos há sete anos, eles eram muito bonitos e jovens. Mas a menina engordou 50 quilos, que perdeu anos depois com ajuda de uma cirurgia. E ela me disse que o que deu forças a ela foi o namorado sempre presente e maravilhoso dizendo todos os dias que ela era linda e apoiando no que fosse preciso. Que ele a mostrava para todos, quando ela mesma tinha vergonha de si. Imagina se ele tivesse ficado com ela só porque ela era magra e bonitinha na época?
Agora, imagina os dois juntos porque se gostam de verdade e de olhos fechados.
Ninguém é descartável.
Talvez eu viva uma utopia, mas eu ainda prefiro ser feliz a ser rei.




Nicole Werneck.

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3 comentários:

  1. Simplesmente Fantástico Nicole.
    É impressionante como consegue transmitir seus sentimentos e emocionar .
    Você é incrível e é um imenso prazer poder ser inspirada por você.
    Parabéns!

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  2. Oi Thais. Prazer é meu ouvindo isso! Obrigada!

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  3. Lindo texto parabéns!!!
    E concordo com você. Acredito sempre no amor!!!

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