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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Da importância da aula de Artes nas escolas




Nunca havia tido aula de História da Arte antes dos meus quinze anos. Comecei a estudar essa disciplina quando iniciei meus estudos no CEFET de Macaé (no meu ano de entrada, os atuais Institutos Federais, eram chaamdos de CEFET ). Quando peguei o meu horário e constei que essa cadeira estava incluída na minha grade, achei legal, embora fizesse ideia vaga dos tópicos que seriam abordados durante as aulas. Na minha cabeça, como na de praticamente todos os meus colegas de classe, essa disciplina e Educação Física seriam aquelas de mais fácil aprovação. Se eu comparecesse e participasse das aula, conseguiria uma boa nota, e isso  ajudaria a  aumentar o meu coeficiente de rendimento. Confesso também que pensei que seria uma matéria a mais, irrelevante, já que na hora do vestibular o que conta mesmo é Matemática, Física, Português, Química, História e Geografia.
Na primeira aula, ministrada por um jovem e exigente professor, Jairo Freitas, notei que não seria tão fácil assim passar e ter uma nota boa. Já de início pude perceber que ele iria cobrar trabalhos excelentes e grandiosos, a nível da excelência e grandiosidade do que era estudado. A paixão com que o professor ministrava as aulas me fez ficar apaixonada por Michelangelo, Caravaggio, Botticelli, Leonardo da Vinci e Picasso. Estudei sobre a Escola Bauhaus, Fallingwater House e as obras de Niemeyer. Entendi que analisando um quadro, uma pintura, uma escultura ou uma construção significa também estudar história. Cada artista retrata em sua obra o que se está passando no momento de sua criação. As crises, os medos e o que move uma geração. Por exemplo, só de analisar o conjunto artístico da Era Medieval, nos damos conta, sem nem precisar recorrer a um livro de história, sobre o poder da igreja católica naquele tempo.
Estudar aquilo tudo só fazia aumentar a minha vontade em viajar para ver de perto aquelas coisas magníficas. Anos depois, aterrisei no continente europeu. E imagina quão grande foi minha satisfação ao entrar no corredor principal da Galeria de Belas Artes de Florença e deparar com a escultura do David de Michelangelo, fiquei empetrificada, chorei. Imagina a minha alegria em entrar em uma sala dedicada a Botticelli no museu Uffizi e dar de cara com a Vênus pintada pelo artista. Imagina o quão contente eu fiquei em ver todas as obras de Caravaggio que eu tinha estudado 7 anos antes. E imagina um amante das Artes ter a oportunidade de estar de frente para o sorriso mais misterioso do mundo: o da Mona Lisa. Imagina estudar as obras de Gaudi e a arquitetura do império grego, e depois ter a oportunidade de ver isso tudo de perto. E qual não é o sentimento de ver Las Meninas, de Velázquez, e depois a coleção com a interpretação de Picasso desta obra?
O ponto que eu quero chegar é que talvez esses museus e monumentos não teriam sido tão legais pra mim se eu não soubesse a história por detrás daquelas obras. É muito legal poder apreciá-las, conhecendo-se a história ou os segredos que existem por detrás delas. Posso ver a diferença de quando eu vou em algum museu com uma pessoa que nunca estudou nada relacionado às Artes. Os museus ficam chatos pra eles, claro, porque eles não sabem o que eles estão vendo. Eu sempre acabo andando sozinha nos museus porque eu quero ficar lá analisando, analisando e analisando. Uma vez falei com uma amiga, que como nossos interesses eram diferentes no museu em que estávamos, deveríamos andar separadas para ver o que nos interessasse mais e que quem acabasse primeiro esperaria a outra do lado de fora do museu. Pois bem, ela me esperou três horas e eu só saí do museu porque o segurança me “expulsou” por estar na hora do encerramento das visitas. Provavelmente, se eu nunca tivesse estudado Artes, eu só olharia para as obras, porque de certo não iria entender nada, seria muito chato pra mim. O lance é que eu viajo, eu entro na história, eu lembro das aulas. E isso não é porque eu sou mais culta ou tenho maior sensibilidade para ver o que está exposto nos museus. Isso tudo é porque eu tive a oportunidade de estudar sobre o que é exposto neles.
Eu fiquei muito triste quando vi a Mona Lisa sendo disputada por dezenas de turistas para…terem uma foto com ela e postar no facebook. A maioria ali só sabe que a Mona Lisa é um dos quadros mais famosos da história, mas não sabem e não se interessam por nada além da fama dele. Eu via muitas pessoas chegarem no Louvre e irem direto na Mona Lisa pra tirar foto e postar em seus perfis nas redes sociais. Mas eu também ficava muito feliz quando via alguém andando de um lado pro outro olhando para a pintura pra ter a certeza de que os olhos da pessoa retratada acompanhariam seus passos.

Aprendi muitas lições, uma delas é a importância de se ter um ensino completo, não preciso saber só de Matemática, Física e Química, nem todo mundo nasceu pra ser engenheiro. Quero estudar também Música, Literatura, Obras de Arte e Teatro. Além do ensino completo, a importância dele ser de qualidade. Tive a sorte e a honra de estudar no CEFET, que tem uma ótima infra-estrutura e excelentes profissionais. Isso conta demais. E além de completo e de qualidade, precisa-se de pessoas que amam o que fazem. Nada adiantaria se eu tivesse ali os melhores equipamentos, se a pessoa que lecionasse a disciplina não amasse o que fazia e não passasse para seus alunos de forma tão apaixonada, com brilho nos olhos. Talvez eu já não me lembre mais de fórmulas matemáticas que me foram passadas ontem de qualquer maneira escritas em um quadro negro, mas não esqueci o que me foi ensinado com amor durante as aulas de História das Artes há 7 anos atrás.
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Um comentário:

  1. Muito interessante. Fico feliz em ver mais uma admiradora da Arte. Sugiro a você que pesquise e assista uma série chamada "Da Vinci's Deamons " que conta a história do pintor além das suas pinturas. Adoro a série e acho que você também vai gostar. ;)

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