Páginas

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Istambul - Turistando



Bom, depois da situação das baratas na comida contada no post anterior, tivemos um show de dança síria. Os nossos hosts eram muito animados, eles nos mostraram fotos das festas que normalmente rolam na casa deles, fotos da Síria e nos contaram sobre o quão ruim é viver em um país que está em guerra. Mas eles também nos contaram sobre os lugares bonitos e interessantes de lá, e como é a vida quando aquela zona está mais tranquila. Sabe aquele patriotismo saudável, do tipo, eu sei que o meu país tem muito problemas, mas só eu posso falar mal dele, mais ninguém. Era isso que rolava com eles. Eu também sinto isso com os brasileiros. Nós sabemos que o nosso país tem muitos problemas, mas não admitimos ninguém mais falando mal, só nós. Eu percebo muito disso quando os brasileiros falam pras pessoas de outras nacionalidades que o Brasil tem sim muitos lugares perigosos e muitos problemas sociais, mas sempre tentam equilibrar o quadro dizendo que o Brasil é o país do futuro, que a economia está excelente, que é um paraíso, etc.
Enfim, depois dessa troca de culturas, fomos conhecer Istambul. Que cidade grande!! Tem gente do mundo inteiro ali. A segunda cidade mais cosmopolita que eu conheci, a primeira ainda é Londres(S2).
Olhando para o horizonte em Istambul você vê vários minaretes(as torres das mesquitas), são muitas na cidade. É legal ver aquela fusão de arquitetura moderna e antiga. Começamos pelo centro histórico de Sultanahmet, que é a parte mais antiga da cidade. Atravessamos a ponte de Gálata e chegamos na Mesquita Azul (ou Mesquita de Sultanahmet). O interior da mesquita é de azulejos desenhados a mão e mosaicos azuis. O chão é coberto por tapetes e os visitantes tem que tirar o calçado para entrar. Como é um lugar sagrado, as mulheres não podem entrar de short, saia curta, decote, etc. Tem que cobrir os ombros, tem que cobrir o cabelo. Se você estiver com uma roupa adequada, precisa ter um véu, ou eles te dão o véu na entrada. Se você não estiver com uma roupa adequada, os funcionários que ficam na porta te entregam um traje que deixa só a sua mão, rosto e pés de fora. Como eu não estava com roupa adequada, tive que usar esse traje. Vou postar foto pelo bem da troca de culturas. Mas bonita a foto não é não, ok?rs...
Essa mesquita possui seis minaretes (a que possui mais em toda a cidade). E é considerada um dos principais cartões postais de Istambul. Ali, pude ver o respeito e a seriedade que os muçulmanos tem pela religião. Antes de entrar na mesquita, tem um lugar para eles se lavarem (você tem que entrar na mesquita limpo). O pátio da mesquita é lindo. Os turistas são proibidos de entrar na mesquita durante os horários de oração, que ocorrem cinco vezes por dia. A primeira e a última são ao nascer e pôr-do-sol respectivamente. Através de caixas de som instaladas nos minaretes, um chamado ecoa nas horas das orações. Pode-se ouvir o chamado da cidade inteira (em todas as cidades de países muçulmanos é assim, então se você for em qualquer lugar da Turquia, você vai ouvi-lo).

Vídeo de um chamado para oração da Mesquita Azul

Dentro da mesquita você tem que ficar em silêncio, em respeito aos que estão ali orando. Fotos sem flash, e eles não gostam que tire foto especificamente das pessoas que estão fazendo suas preces. Uma grade divide os turistas dos que estão ali exercendo sua fé.
Ao sair da Mesquita, fomos para o Grand Bazaar. Que loucura. Lá vende de tudo. É um dos mercados mais antigos e maiores do mundo. Uma parte é a céu aberto, a outra é fechada. Mas fomos rapidamente lá porque tínhamos marcado com um amigo que fez Erasmus e que mora em Istambul de nos encontrarmos na Taksim. Fomos também ao mercado de especiarias.
O Grand Bazaar merece um post especial, que vou fazer mais tarde. Compramos muitas coisas lá, e bem baratas. Tem que saber negociar.
Bom, marcamos com o nosso amigo as 18 horas, pegamos um ônibus para chegar a Taksim. Engarrafamento frenético em Istambul. Tudo parado, nunca vi um trânsito tão louco na vida. Chegamos com uma hora de atraso...rs. Ele já não estava mais nos esperando. Nossos telefones não tinham sinal na Turquia, não tinha wifi. Vimos uma mulher parada na praça da Taksim sozinha, parecia estar esperando alguém. Fui lá, já esperando que ela não falasse inglês ou coisa do tipo (é realmente difícil encontrar gente que fala inglês na Turquia). Para minha surpresa ela falava inglês e muito bem, expliquei nossa história pra ela e perguntei se ela encarecidamente poderia nos emprestar seu celular, disse que a gente pagava o que gastássemos. Ela foi super gentil e não aceitou o dinheiro, emprestou o celular de boa. Gracinha essas pessoas que a gente encontra por aí.
Nosso amigo tinha ido encontrar um outro amigo, e depois de um tempo voltaram para nos buscar. Outra impressão que eu tive dos turcos: assim como os brasileiros e totalmente diferente dos europeus, turcos normalmente não são pontuais. Saímos para fazer um tour pelos bares da região. Quando saímos do segundo bar, levei um susto. A rua lotada, já era noite e eu não esperava uma noite tão intensa por ali. Gente do mundo todo, mulheres com roupas curtíssimas procurando alguém do sexo oposto (ou não) misturadas com mulheres de burca acompanhadas de seus maridos. Vendedores de rua vendendo as mais diferentes comidas da Turquia nas suas barracas humildes em meio a restaurantes caríssimos. Uma rua lotada de bares e baladas(que me lembrou Amsterdam) no coração de uma cidade muçulmana. A energia de uma juventude que quer dançar e se divertir misturada ao cheiro antigo das práticas muçulmanas. Muitos que estavam ali nas festas eram estrangeiros, ERASMUS, etc. Tinham turcos ali, lógico, mas eles são mais reservados. Depois desse segundo bar, a gente caminhou pela gigantesca rua que te oferece milhares de opções noturnas. É linda, tem muitas luzes, muitas atrações de artistas de rua. Demos uma volta no carro do nosso amigo para sentir a cidade a noite. Voltamos a Taksim para encontrar os amigos do Couchsurfing. Eles chegaram e nos levaram a outras duas baladas. Em ambas, a diversão foi garantida. Os lugares estavam LOTADOS, não lembro exatamente o dia da semana, acho que era uma quinta-feira. Dançamos MUITA música árabe na primeira, é muito muito legal. O jeito que eles dançam, cantam e tudo mais. Ficamos suados de tanto dançar. Na segunda era balada com música eletrônica e brasileira(S2). Chegamos em casa por volta das 4 da manhã e a rua ainda estava lotada. Me apaixonei pela noite daquele lugar.

Chegando a Ponte Gálata
Táxi em turco
Estação de metro Şişhane : uma das mais centrais
Um dos mercados de rua de Istambul
Ponte Gálata
Ponte Gálata: muitas pessoas pescam nessa ponte

Ponte Gálata
Vista da Ponte Gálata
Vista da Ponte Gálata
Ponte Gálata
Ponte Gálata
Esqueci de dizer, muitos turcos pedem pra tirar foto junto com as turistas. Minha cara de sem graça na foto.
Mesquita Azul
Mesquita Azul
Entrada da Mesquita Azul
Entrada da Mesquita Azul
Lugar pras pessoas se lavarem antes de entrar na Mesquita
Pátio da Mesquita Azul. E mais um lugar para as pessoas se lavarem antes de entrarem de fato na Mesquita para fazerem as suas orações
Um dos minaretes da Mesquita Azul
Pátio da Mesquita Azul
Dentro da Mesquita Azul (a minha cara de quem estava adorando usar esse traje)

Dentro da Mesquita Azul


Dentro da Mesquita Azul
Dentro da Mesquita Azul
Mesquita Azul vista de uma das entradas do Grand Bazaar
Vista de algum ponto da cidade
Pôr-do-sol
Achando graça de ter que cobrir o cabelo
Night na rua mais badalada de Istambul


Beijo,

Nicole Werneck.


















←  Anterior Proxima  → Página inicial

2 comentários:

  1. É incrível como a fé pode ter repercussões lindas, mas também pode ser perigosa se mal trabalhada! Gostei muito do post. Nem achei tão horrível a roupinha! ;)

    ResponderExcluir