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terça-feira, 19 de novembro de 2013

Chegando na Turquia (Istambul)



Ontem eu estava conversando com umas amigas mexicanas sobre a minha viagem para a Turquia. Uma delas disse que eu tinha que escrever sobre a minha experiência nesse país, porque segundo sua opinião eu estava contando coisas super interessantes!! E muitas pessoas já tinham me dito que eu deveria escrever sobre essa viagem. Deixei a preguiça de lado e vim escrever.
Bom, a Turquia foi o país mais diferente que eu tive a oportunidade de estar. 99,8% da população é islâmica, isso significa que você sai de casa e vê muitas mulheres usando aquelas burcas. Como eu fui no verão, e estava realmente quente lá, eu não entendia como elas aguentavam usar aquela roupa. Tinham algumas que só deixavam os olhos destampados, mas com um pedaço de pano tampando esse ossinho do nariz entre os dois olhos. Eu não pude tirar muitas fotos da vestimenta delas, porque elas não gostavam que as pessoas ficassem tirando foto delas, principalmente se o marido estivesse perto. Era engraçado também que às vezes a gente via essas mulheres, usando essas roupas, com um tablet ou um iphone na mão (eu não deveria achar estranho, hoje em dia quase todo mundo tem tablet ou algum tipo de smartphone. Mas é que pra mim parecia ser um contraste imenso. No meu íntimo, essas roupas são uma coisa meio antiquada. Então ver uma pessoa com maneiras que eu julgo serem antiquadas, utilizando uma tecnologia tão recente ainda é algo estranho pra mim).


Eu não pude tirar essas fotos, mas achei na internet, uma delas no site da Contigo!(hahaha)

Cheguei em Istambul, vindo de ônibus de uma cidade da Grécia chamada Thessaloniki. Estava com uma amiga grega, e minha companheira de muitas viagens, a Vik. Nós não sabíamos se seria legal irmos só nós duas, por sermos mulheres, sozinhas para lá. Não sabíamos nem que tipo de roupa deveríamos usar.
Chegando lá, tive algumas respostas às minhas perguntas, tais como:

  • Preciso usar burca ou lenço para tampar o cabelo na Turquia? Se você é turista e não é da religião islâmica não, não precisa. Só pra entrar nas mesquitas ou em algum lugar sagrado que você precisa cobrir o cabelo, não entrar com roupa muito justa ou decotada, não entrar de short, e de preferência cobrindo pelo menos os ombros.
  • Qual tipo de roupa devo usar na Turquia? Como estava muito calor, usamos roupas normais de verão. Em um próximo post, vou falar sobre as praias que fui lá (sim, usei biquini, apesar de não ser muito comum biquíni por aqueles lados). Na Capadócia e em Antalya por exemplo, que era um calor de quarenta e poucos graus, eu usava short. Mulheres turistas na Turquia são muito abordadas, principalmente se você não tem nenhum homem te acompanhando. 
  • Mulheres podem andar sozinhas na Turquia? Eu e minha amiga andamos. Se você se importar muito e for se incomodar com os caras falando gracinha, não ande. Eu levava na esportiva, até porque não entendo turco. Então pra mim dava na mesma.

 Voltando...já dentro do ônibus eu comecei a reparar em algumas diferenças.
Ao entrar em algum ônibus intermunicipal ou internacional na Europa, você deve deixar a sua bagagem na parte de baixo, como no Brasil. A diferença é que aqui você não entrega pro motorista etiquetar a bagagem e te dar depois um papelzinho com o número dela. Aqui você vai, coloca a sua bagagem na parte de baixo e na hora de descer você mesmo a pega de volta. Na primeira vez que eu peguei ônibus aqui, eu achei uma tremenda falta de segurança. É muito fácil alguém ir e pegar uma bagagem que não pertence a ele, mas isso não acontece. Enfim, eu só quero chegar na parte de que na Turquia você tem que etiquetar a bagagem. A Turquia é Europa até uma parte de Istambul, depois já faz parte da Ásia. O Estreito de Bósforo faz a divisão entre os continentes.  Pode-se dizer que Istambul é a cidade mais importante de país, e também a mais famosa. Antes de conhecê-la eu pensava que ela fosse a capital da nação, mas na verdade a capital é uma cidade chamada Ankara. Falei com um amigo turco que achei estranho, nunca tinha ouvido falar de Ankara, como podia ela ser a capital? Ele me falou: "É igual a Rio de Janeiro e Brasília. Nunca tinha ouvido falar de Brasília até te conhecer. Pra mim a capital era o Rio de Janeiro". Levando em conta o tamanho da Turquia, uma parte muito pequena do país é considerada Europa. Na verdade, mesmo a parte européia não tem nada da cultura da Europa. É realmente muito diferente.
Istambul tem cerca de 14 milhões de habitantes, há muito tempo que eu não ia em uma cidade tão grande assim. As cidades da Europa não são tão grandes, visto que os países da Europa também não são grandes. Fiquei encantada quando cheguei na cidade.
Primeira impressão: agora sim estou em uma cidade grande!!
Descendo do ônibus que nos levou até a rodoviária, a gente deveria pegar uma van para o centro da cidade. A van já estava incluída no preço do ônibus. Tínhamos tempo pra ir ao banheiro e comer alguma coisa até o nosso próximo transporte chegar. Fomos ao banheiro e tcharã...primeiro susto da Turquia: o banheiro. Não tem vaso sanitário. É um buraco no chão revestido com o mesmo material dos nossos vasos sanitários. Conhecido como banheiro turco, pode procurar no google que vão ter várias fotos.


Banheiro turco

 Não acreditei, não sabia disso, não tinha lido sobre isso em lugar nenhum. Não estava psicologicamente preparada...rs. Fiquei em estado de choque, a vontade de fazer xixi passou. Pensei: não uso isso de jeito nenhum. É um pouco nojento, porque as mulheres tem que abaixar pra fazer xixi ali, daí fica molhado nos lados do buraco(caso se erre a mira...eca)
Bom, fomos pegar a van. Segundo susto da Turquia: o trânsito caótico. Parece que ali não tem lei no trânsito. Muitos acidentes,  muitas pessoas não respeitam o sinal. Vi os pedestres tendo que correr (enquanto o sinal estava aberto pra eles) pra poderem atravessar a rua. Os carros buzinando, as pessoas gritando, ninguém usando capacete ou cinto de segurança. Bom, imagina um trânsito de uma cidade de 14 milhões de habitantes(só pra comparar os números, a população de Portugal, o país em que eu vivo é de 10 milhões de habitantes). Sobrevivemos, chegamos ao centro da cidade. Fomos trocar o dinheiro, de euro para Turkish lira, que na época(agosto de 2013) a conversão era de 1 euro=2,55 Turkish lira.
Como conhecemos muitos turcos que estavam de Erasmus em Portugal, nós já tínhamos 10 mil pessoas pra visitar.

A noite de Istambul é tópico pra outra postagem, mas esse vídeo é só pra ver como foi dar um rolé de carro por lá

Maas, tinhamos primeiro que ir para a casa do cara do Couchsurfing. Fomos de metro até lá. Na Turquia não tem muitas pessoas que falam inglês, então o jeito foi fazer mímica, mostrar por escrito o nome do lugar que nós queríamos ir. Dá-se um jeito. Achamos um cara que nos ajudou no metro pra comprar a ficha. O preço da ficha do metro era de 3 TL para cada viagem.

Ficha para o metro da Turquia

Chegando na casa dele, ele foi super educado. Toda casa na Turquia que você entra, você tem que deixar o sapato na porta. Anda-se descalço na casa ou cons uns chinelos tipo pantufa que eles normalmente disponibilizam para os hóspedes.  Perguntou se a gente queria tomar café da manhã. A resposta foi um sim bem grande, pois estávamos com muita fome. Ele mora com mais 3 rapazes, todos da Síria, escapando da guerra. Muito legal ouvir as histórias que eles tinham para nos contar. Muito legal conhecer a cultura deles. Fomos para a cozinha ajudá-los na preparação da comida. Eles iam fazer um café-da-manhã típico da Síria para nós. Achei super legal! Ele pediu pra Vik pegar o açúcar que estava dentro do armário. Várias baratas saíram do armário na hora que ela abriu. Baratas pequenas. Esperei alguma reação dele. Tudo normal, então era normal ter baratas (muitas) ali.
O pior é a parte de fazer cara bonita e comer aquilo. Quando a Vik virou o rosto, eu joguei tudo que estava no meu prato pro prato dela. Ela não se importou, como ela diz, ela não pode recusar comida de graça(hahahahaha)
Assim como eu não gostei da comida da Turquia, também não gostei da comida da Sìria. A base da comida de ambos os paises parece que é o iogurte. Não gosto de macarrão com iogurte(mais um tópico para outra postagem), de salada com iogurte, de iogurte salgado como bebida. O café da manhã sírio era iogurte, queijo(que não gostei), azeitona(que não gostei), pão(que não gostei), e uma coisa que ele fez na frigideira com ovo, tomate, pimentão, e mais coisas que eu não quero saber o que são(adivinha, também não gostei). Acho que 50% do que me fez não gostar dessa comida foi o nojo que eu estava sentindo. Desculpa, mas barata na comida é foda. Ah...as casas lá normalmente tem muitos tapetes, até pras pessoas não andarem totalmente com o pé no chão. Daí é normal sentar-se no chão lá e comer. Na foto abaixo, o prato está no chão, no tapete. É nojento quando a comida cai no tapete. Como não tem condição de ficar trocando o tapete cada vez que cai comida nele, às vezes ele fica meio sujinho :(

Café-da-manhã

Enfim, depois de termos "comido", fomos visitar a cidade. Istambul é muito grande, dependendo do trânsito gasta-se um bom tempo indo de um ponto ao outro. 
No primeiro dia fomos na Mesquita Azul, ao Grande Bazar(S2) e a Taksim. Tenho muito a falar sobre a Turquia. Escrevo mais em um próximo post. Só pra falar sobre a noite de Istambul eu demoraria muito! Um país surpreendente.

Beijuu,

Nicole Werneck

#vaiserfeliz #enjoyyourlife


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4 comentários:

  1. Muito legal Nicole, ri bastante com sua postagem =)

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    1. tenso lívia!mas sempre é bom conhecer novas culturas!

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  2. Muito boa postagem! Ri e me choquei imaginando as cenas!
    Como homem n teria muito problemas com o banheiro (para o número 1), mas nem por um decreto papal eu comeria comida "baratada" (tá! na hora da fome... URGH)
    Poste mais sobre suas aventuras

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