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segunda-feira, 3 de junho de 2013

Experiência de Couchsurfing em Londres



O principal motivo que me faz gostar tanto de viajar de carona e de fazer Couchsurfing é porque tenho a oportunidade de conhecer muita gente diferente, de várias culturas. Em Londres, ficamos de Couchsurfing na casa de um inglês ( o que é raro, porque quase todas as pessoas que ofereciam um espaço em suas casas em Londres eram de outras nacionalidades). Já me escreveram pedindo para eu fazer um post sobre o que é o Couchsurfing e como funciona, eu prometo que vou escrever sobre isso!

Normalmente as pessoas que tem perfil no Couchsurfing, são pessoas abertas a conhecer gente nova, a ficar na casa de outras, a viver a cultura do local, conhecer a rotina de uma casa do país em que se está (isso sim é viajar). E quem hospeda ou é hospedado na casa de desconhecidos, claro, tem uma mente bem aberta. Normalmente são pessoas sem preconceito e que querem conhecer o mundo. Me identifiquei...rs

Bom, o nosso amigo londrino tinha 34 referências positivas e nenhuma negativa no Couchsurfing. Confesso que como não tínhamos muito tempo, resolvemos fazer essa viagem em cima da hora, eu não analisei muito o perfil dele. Quem fez o couchrequest foi minha amiga grega, e se eu que sou muito mais preocupada com segurança que ela, não olhei o perfil do cara, ela não iria mesmo fazê-lo. Ela só me disse: "Ele tem 34 referências positivas, e aceita 4 pessoas serem hospedadas na casa dele. A foto dele é meio estranha, mas acho que tá tranquilo." No que eu respondi: "Ah Vik, vamos nesse mesmo. Ele deve ser legal. É difícil achar alguém que hospede 4 pessoas em Londres, vai ser ele mesmo."

Depois de termos chegado na cidade (ah...a história da chegada em Londres é interessante, fomos barrados no aeroporto, clica aqui para dar uma lida e para aprender a não cometer os mesmos erros que nós), ligamos para ele no horário combinado (pontualidade britânica) e ele explicou direitinho onde ele morava e deu as instruções para pegar o metrô e descer na estação correta. Londres tem onze linhas de metrô (e eu acostumada a andar nas 2 do Rio de Janeiro). A gente teve que procurar muito onde deveria comprar o bilhete. E mesmo com o nosso host tendo explicado qual linha a gente deveria pegar, tivemos que perguntar informação na estação e mesmo assim levamos uma coça até entender qual deveria ser o lugar exato a ir. A estação que a gente estava era gigantesca, era a Green Park. Deveríamos descer em Stanmore, que é o ponto final de uma das linhas. Praticamente no fim de Londres, muito longe mesmo. Mais de 1 hora no metrô. Aliás, o metrô de Londres é caro, a última vez que eu estive na cidade, estava algo em torno de 4 libras e pouco um ticket. Eu não anoto nada dessas coisas, como muita gente faz diário de bordo. O meu fica tudo na cabeça mesmo. Mas tem vários tipos de cartão para várias idades e pra quem mora lá, então quando você for na cidade, é bom verificar se você tem direito a algum tipo de desconto.

Ok, chegando em Stanmore, nosso host estava nos esperando sentado na escadaria do metro lendo um livro. Quando ele levantou os olhos, eu levei um susto. Pra falar uma coisa legal, ele tinha cara de psicopata. Eu, brasileira, já fico com os dois pés atrás. A grega estava super de boa, conversando e rindo a beça. Eu não conseguia nem conversar direito, só ficava olhando. Os outros dois brasileiros que estavam conosco, também estavam com medo.

Stanmore é um bairro de gente que tem uma boa condição financeira. Seguimos o nosso host até a cada dele. Ele morava em uma rua sem saída e escura, e já era noite, lá pelas 9, então já estava bem escuro e frio, já que era inverno. As casas na rua dele eram bem grande e ficavam um pouco afastadas umas das outras.

Chegamos na casa dele e levamos um susto, ele morava sozinho em uma casa de 20 quartos! Entramos, a casa não era muito mobiliada, sentamos então em uma das salas e começamos a conversar. Ele nos perguntava muitas coisas, mas não respondia quase nada do que perguntávamos. Disse que trabalhava no computador, mas que não podia falar com o quê.

Eu estava achando tudo muito estranho. Pedi para usar o banheiro, ele me indicou onde era e no caminho até lá passei por alguns outros cômodos e em todos eles tinham vários sacos pretos espalhados. Os sacos estavam cheios(claro) e amarrados. Apesar de estar em toda aquela situação, achei que seria muita invasão de privacidade vasculhar o que tinha dentro dos sacos. Fiquei imaginando várias coisas que poderiam estar ali dentro.

Alguém sugeriu que fossemos a um pub. Ele disse que tinha um ali perto da casa dele e que poderia nos levar. Já no pub, encontramos ingleses bem simpáticos, o barman era ótimo e nos recomendou a cerveja típica daquele lugar. Sentamos na mesa e o nosso host falou que não fizemos a pergunta que todos fazem. Perguntamos qual era, e ele disse que todos perguntam: "Por que você, uma pessoa com 26 anos, mora em uma casa gigante sozinho?" A resposta foi que ele herdou a casa dos pais, eles são muito ricos e agora moram no centro, eles são donos de um hotel lá.

A partir daí, o papo começou a ficar mais estranho, ele começou a falar que muitas pessoas que se hospedaram na casa dele perguntavam se ele era psicopata, se matava pessoas. Disse que muitas pessoas chegavam e quando conheciam a casa e conversavam com ele, davam alguma desculpa e iam embora. E depois falou que tinha uma surpresa para nós esperando na casa dele e que nós nunca mais iríamos nos esquecer do que era. E que a surpresa era na terra. Eu implorei para ele falar o que era, e até mandei a real dizendo que não estava gostando daquela situação. Ele só respondeu que surpresa é surpresa, que não ia falar o que era, e que eu tinha que ir lá ver, mas que ele tinha certeza que eu nunca mais ia me esquecer.

Na verdade, eu queria sair correndo, esquecer que minha bolsa com as minhas roupas estava na casa dele. Eu estava com o mais importante, documentos e dinheiro, iria embora sem pensar duas vezes. Mas eu não podia e não queria ir sozinha. Nesse dia, eu percebi que realmente tenho amigos loucos. Todos ali, menos a grega, estavam sentindo cheiro de problema, mas todos queriam aventura, todos queriam desafio, todos queriam saber o que estava para acontecer. Ele ainda pagou nossa conta no pub. Imploramos para ele aceitar nosso dinheiro, mas ele não quis.

No fim , voltamos para a casa dele, na verdade eu fiquei no portão, não entrei, e ele falou que todos poderiam esperar ali, que ele ia buscar. Ah...esqueci de mencionar que a primeira vez, logo que chegamos na casa dele, tinha uma van parada em frente, com uns 4 homens muito grandes esperando alguma coisa.

Bom, estávamos ali o esperando, e nesse momento já estava bem escuro e a rua mais deserta ainda, ninguém passando ali.

Ele voltou com uma chave na mão, nos conduziu a atravessar a rua e abriu um portãozão que ficava exatamente em frente da casa dele. Quando entramos, não acreditamos no que estávamos vendo. Eu comecei a chorar e a gritar. Me recusei a segui-lo. Estávamos dentro de um cemitério. Eu estava chocada e pensando nas piores coisas que possíveis. Tive grande vontade de estar quietinha na minha casa no Brasil. O nosso host então, vendo que eu estava desesperada, disse:"Calma, a gente está em um cemitério mas tenha certeza que eu não vou fazer nenhum mal. Eu te garanto que tudo está bem. É uma coisa boa. Confia em mim." Ele me entregou a chave da casa dele e falou que eu poderia ir pra lá se quisesse e esperar os outros em casa. JAMAIS eu aceitaria isso. Se for pra se ferrar, vamos todos juntos. E voltar para aquela casa cheia de saco preto sem saber se teria alguém ali armando algo não estaria mesmo nos meus planos.

Todos queriam saber o que o cara queria mostrar e falaram para eu não entrar, para eu ficar na esquina esperando...RÁ...ficar na esquina super escura e deserta. JAMAAAIS...Decidi ir com todos, como diz meu amigo Natan, fudido, fudido e meio.

Perguntei de quem era aquele cemitério e por que ele tinha a chave daquele lugar. Ele disse que quando seus pais compraram a casa, compraram também o cemitério (po, super comum né, comprar um cemitério junto com a casa). Perguntei se eram parentes dele que estavam enterrados ali, e ele olhou para minha cara e disse:"Não." Só isso, continuou andando. No meio do cemitério tinha uma igreja. Ele abriu a porta. Ela rangeu e eu esperei que saísse algum morcego voando dali, o que não aconteceu. Eu não falava nada, só rezava e pedia a Deus para nada de ruim acontecer. A igreja tinha uma torre e começamos a subir sua escada. Era muito estreita e circular, só dava pra uma pessoa subir de cada vez. A Vik e o João foram na frente com o nosso host. Porque eles são doidos. Eu e Thallison fomos atrás e toda hora ficávamos gritando o João para ver se estava tudo bem. Até que uma hora, o João parou de responder. Gritamos, gritamos, gritamos e nada. Nesse momento eu já estava filmando tudo, e tem até  vídeo no final da postagem. O Thallison pediu pra eu filmar porque disse que estava gostando da aventura (^^). Felizmente, o João respondeu depois de muito tempo, falou para continuarmos subindo porque era lindo lá em cima. Eu não sabia se ele tinha respondido isso a mando do cara.

Quando chegamos no topo da torre vimos a surpresa, o que ele queria nos mostrar, não se decepcionem: a vista de Londres. De cima da torre do cemitério dava pra ver a cidade de Londres toda. E como era a noite a gente via as milhares de luzes. Era bonito, talvez durante o dia fosse mais ainda. Eu ainda acho que ele tem algum problema, porque não precisava nos amedrontar daquele jeito. Ele gostava de nos ver com medo. Desnecessário. Voltamos para casa, dormimos (eu dormi com um olho aberto e o outro fechado) e no outro dia cedo fomos embora. Não fui embora naquele momento porque estava muito longe do centro, sem internet, e fiquei com medo de arriscar e acabar ficando na rua. Como todos sabem, alguns bairros de Londres são bem complicados. Ele disse que no dia seguinte poderíamos ir embora e que ele não se importava se nós iríamos nos despedir dele ou não.

No outro dia levantamos bem cedo, e na hora de ir embora ele já estava acordado. Nos recomendou a verificar se não tinha ninguém na rua quando fossemos sair da casa dele, porque ele não queria que ninguém nos visse saindo dali. Percebemos que bem cedinho começou um movimento de entra e sai de carro ali, e não era ele. Os carros entravam ali, deixavam alguma coisa, pegavam outra(os sacos pretos) e iam embora. Quando o movimento diminuiu fomos embora para nunca mais voltar.
Gente, Couchsurfing é muito bom, mas pode aparecer alguns loucos pelo caminho. Antes de irem para a casa de alguém, analisem o perfil da pessoa. A maioria das histórias de Couchsurfing que eu escuto são boas, eu inclusive fiz amigos de verdade pelo site. Mas já escutei também algumas histórias ruins. Então, escolham.

                                     
De manhã, ao sair, tínhamos que registrar o momento!


De manhã, ao sair, tínhamos que registrar o momento!



Capela do cemitério (Deus me livre)


Vídeo da gente subindo a torre: https://www.youtube.com/watch?v=88rdoxvjNYg



Se você já tiver passado por algum perrengue com CouchSurfing, ou quiser compartilhar sua visão sobre o site, deixa sua opinião aí nos comentários!

Nicole Werneck.

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3 comentários:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Morri de rir, sobretudo com a parte "E voltar para aquela casa cheia de saco preto sem saber se teria alguém ali armando algo não estaria mesmo nos meus planos."

    Mas que bom que vc foi lá pra ver o que ele fazia tanto suspense! Mas que ele tbm me pareceu creepy pela história, pareceu!

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    1. Hehehe...Totalmente creepy. No final a gente acaba rindo´e é tudo história pra contar...haha

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  2. E como vou dormir agora sem saber o que tinha nos sacos pretos....
    Vc nem pra abrir um...
    Estória incompleta!
    Kkkkkk

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